O modelo é parecido com o crédito consignado para pessoas físicas, em que as parcelas são debitadas automaticamente do salário, a taxas mais baratas

Matéria do Valor Investe

Sua empresa precisa de um empréstimo mais barato? Uma fintech, startup de serviços financeiros, criou um modelo de crédito para pequenas e médias companhias que pode ser uma alternativa.

A Mova — fintech de empréstimo entre pessoas (peer to peer, do termo em inglês), que conecta investidores a tomadores de crédito — desconta as parcelas automaticamente das futuras vendas da empresa. Como dispõe dessa garantia, que reduz o risco de inadimplência, a plataforma consegue estruturar um empréstimo com juros mais baixos.

O modelo é parecido com o crédito consignado para pessoas físicas, em que as parcelas são debitadas automaticamente do salário, a taxas mais baratas.

A empresa BSA Esquadrias foi a primeira a tomar crédito por essa modalidade. A companhia pegou R$ 52 mil emprestados para investir no negócio, por uma taxa de juros de 1,47% ao mês. Sem débito automático, a taxa de juros seria de 2,50% ao mês, acima do que a empresa estava disposta a pagar. Isso significa que a parcela caiu de R$ 2.907 para R$ 2.587 e, ao final de 24 meses, a economia será de R$ 7.691.

Na outra ponta, investidores que emprestam o seu dinheiro recebem uma taxa de juros menor como remuneração, em troca de risco mais baixo. Com esse tipo de estrutura, o investidor não depende apenas da análise de crédito da fintech para receber seu dinheiro de volta, mas também da qualidade da garantia.

Como funciona

Assim como em qualquer operação de crédito, a empresa tomadora do empréstimo passa por um processo de análise de crédito e, quanto maior o risco de inadimplência, maior a taxa de juros cobrada. Empresas que oferecem a garantia de pagamento em débito automático têm mais chance de ter o empréstimo aprovado, mas só isso não é suficiente.

O formato da Mova é possível porque a fintech desenvolveu um sistema próprio para registrar as operações, uma estrutura de conta vinculada para fazer a cobrança e um modelo jurídico que, segundo a empresa, garante que a receita futura da empresa vai ser usada para pagar a dívida. “É assim que temos buscado nos diferenciar nesse mercado tão poluído de fintechs de crédito. Com a redução da inadimplência, queremos crescer e criar produtos diferentes”, diz Roberto Felipe Tesch, CEO da empresa, que também tem como sócio o grupo Omni e, além empréstimo para empresas, oferece financiamento estudantil.

Fintechs de crédito se multiplicam

O Brasil já tem mais de 100 fintechs de empréstimos — é o segundo maior grupo de fintechs no país, atrás do segmento de meios de pagamento, segundo a Associação Brasileira de Fintechs (Abfintechs). Embora ainda representem menos de 1% do mercado de empréstimos no Brasil, as fintechs de crédito são uma aposta do Banco Central para reduzir os juros no país.

A Mova foi regulada como Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP) pelo BC no início de 2019. O modelo permite que essas plataformas conectem investidores a tomadores de empréstimos, que podem ser pessoas físicas ou empresas, sem um banco parceiro intermediando a operação. Assim, as fintechs conseguem reduzir custos operacionais (e não precisam ter patrimônio elevado como o dos bancões).

Para as plataformas de empréstimo entre pessoas que não são reguladas como SEPs e têm uma instituição financeira por trás, é caro estruturar esse modelo de pagamento das parcelas em débito automático.

Somente cinco instituições financeiras foram autorizadas pelo Banco Central a funcionar como SEP, sem um banco parceiro, e duas estão em operação: a Mova é uma delas. Outras duas SEPs estão na fila de análise do BC.

Fonte: https://valorinveste.globo.com/produtos/credito/noticia/2020/01/17/fintech-oferece-credito-mais-barato-para-empresas-que-pagam-no-debito-automatico.ghtml?fbclid=IwAR2WxAJsSjaTC-9UNX4zwwvTR5TCChtqd1lKAXYADKK_MGOKghDGl5NVHY8


0 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *